quarta-feira, 30 de março de 2011

Vivam as biscates

Texto retirado do blog BOTECO SUJO e nao poderia deixar de publicar, uma verdadeira obra de arte!




Bacana o público ter eleito uma gostosa como vencedora do Big Brother Brasil. E não uma gostosa qualquer, mas uma gostosa biscate. Biscates geralmente são ruim de pleito, por causa da inveja das mulheres e da hipocrisia dos homens. Agora, uma biscate virou sucesso de público, que legal.

Curto as biscates. Sluts, bitches, vagabundas, putanas. O melhor antídoto já criado para a hipocrisia do gênero humano.

Biscate não é garota de programa (puta strictu sensu) porque não age por dinheiro, mas por amor à arte. Biscate não é feminista, porque não tem medo de ser mulher.

Biscates não estão nem aí para o que você pensa, ou para que a vizinha pensa, ou as amigas, o síndico, o chefe ou o pastor. Elas têm a rara habilidade de ser como querem ser, não como o mundo espera que elas sejam.

Biscate ama, e muito, mas seu coração é generoso e sua boceta é libertária. Porque a biscate não faz a alegria de um só; ela quer ser amiga da garotada. A biscate é democrática: ela leva Kirk, Spock, McCoy e se bobear até Uhura para onde muitos homens já estiveram.


Muita mulher não entende as biscates. Biscate é para quem pode, não é para quem quer. Veja Sandy sofrendo em vão tentando desesperadamente ser aceita como biscate, sem convencer ninguém.

E não basta querer dar para todo mundo para merecer o título de biscate. Se ninguém estiver interessado, não vale. Biscate é meritocracia.

Muito homem não entende as biscates. Elas não querem dar para todo mundo. Querem trepar muito, mas não necessariamente com você, por mais fodão que você seja. Biscate engole porra, biscate dá o cu — mas só se estiver a fim. Porque a biscate só faz o que quer. Num belo dia, pode se casar e resolver levar uma vida monogâmica com filhos e trepadas aos sábados à noite pelo resto da vida. Por que não? Biscates são donas do seu destino.

Biscates podem ser boas namoradas, se você não fizer questão de fidelidade. Lembro que tive um namoro de alguns meses com uma biscate no final da adolescência. Embora mais nova, tinha dez vezes a minha experiencia sexual. Foi um namoro bacana, que durou alguns meses e terminou de morte morrida, tranquila e sem mágoas. Namoradas biscates viram amigas — para o que der e vier.

Anos depois, passando pela cidade onde essa ex morava, fiz questão de telefonar, perguntando se a gente podia se ver (biscate adora um revival).

— Claro que sim. Só preciso inventar uma desculpa pra dispensar o meu namorado hoje.

Fiquei todo felizão. Mas pensei melhor por um instante e meu orgulho de macho resolveu se manifestar:

— Vem cá. Quando a gente namorava, você fazia a mesma coisa comigo?

— Claro que não. Com você, eu fui fiel. Só com você e mais ninguém.

Mentiras tão grandes contadas com tanta inocência que te dão vontade de acreditar. Vivam as biscates.




Parabens Fausto Salvadori Filho
pelo maravilhoso texto.